— Em geral, as meninas não têm um desenvolvimento de raciocínio tão grande quanto os meninos, não prestam tanta atenção ao ensino. Parece que a sua mesma natureza repugna o trabalho árido e difícil e só abraça o deleitoso. Basta-lhes o saber ler, escrever e as quatro primeiras operações da aritmética. Se querem dar-lhes algumas prendas mais, ensinem-lhes a cantar e tocar, prendas que vão aumentar a sua beleza. O que importa é que elas sejam bem instruídas na economia da casa, para que o marido não se veja obrigado a entrar nos arranjos domésticos, distraindo-se dos seus negócios
Quem disse isso foi Marquês de Caravelas, senador da Bahia, durante os debates sobre uma lei que buscava estruturar o ensino primário no Brasil, em 1827. Com este recorte, fica fácil entender porque as desigualdades entre homens e mulheres ainda perduram: muitos tomadores de grandes decisões têm uma alienada visão de mundo.
Não à toa, a lei que o Marquês debatia na ocasião foi aprovada com grandes diferenças entre a educação básica das crianças. Em matemática, por exemplo, enquanto os meninos “aprendiam adição, subtração, multiplicação, divisão, números decimais, frações, proporções e geometria, elas [as meninas] não podiam ver nada além das quatro operações básicas” (Fonte: Agência Senado).
Hoje, contudo, as mulheres são maioria na docência e na gestão da educação básica. Também são as que mais ingressam no ensino superior — e as que mais o concluem. A Alfabetização Descomplicada foi criada por uma mulher, e seu cujo corpo docente (com exceção de um rapaz muito simpático) é feminino — e muito qualificado.
Esses, e tantos outros exemplos, só evidenciam que a visão de mundo do Marquês de Caravelas, que era a visão de mundo da maioria dos homens daquela sociedade, mas continua sendo a de muitos homens hoje, representa um atraso ao desenvolvimento e bem-estar social. O mundo não ficou melhor para todos quando começou a ficar menos pior para elas?
Feliz Dia das Mulheres



